14 de maio de 1934

     O dia começou com a grata surpresa do reaparecimento do Dr. Campbell, que chegou nadando e coberto de algas. Felizes de vê-lo vivo, içamo-lo ao navio, ansiosos por saber como se deu sua fuga, mas, mesmo depois de ter tempo para recobrar o fôlego, ele se ateve a dizer apenas algumas palavras, sobre um som de flauta que o atraiu a uma galé, onde ele foi perseguido por Kalimanos e teve um - aparentemente terrível demais para ser detalhado - encontro com uma criatura com tentáculos.

Mesmo tendo escapado por um milagre, o doutor parecia acreditar que tudo estava perdido, que esse era o inferno e que jamais sairíamos dele. Mas tratei de convencê-lo de que, pelo contrário, estávamos mais perto do que nunca de deixar este lugar para sempre, pois agora tínhamos um plano: encontrar a tempestade e repetir o fenômeno que nos trouxe até aqui.

Mostrei a ele o mapa atualizado com o que vi na cúpula submarina e as informações obtidas por Próspero, cuja situação expliquei ao doutor, e ele não se opôs ao plano de entregá-lo à sua tripulação, o que fizemos em seguida.

Aproximei-me do navio de cruzeiro no barco a remo, acompanhado de Harry Johnson e do pobre Próspero, que nesse ponto parecia resignado e já não falava mais nada. Seu retorno são e salvo foi muito comemorado pelo seu grupo, que honrou com a palavra e nos entregou boa quantidade de comida enlatada como recompensa. Mas a alegria deles era diretamente proporcional ao ódio nos olhos de Próspero, que eu mal ousava encarar. Quando nos despedíamos, ele me dirigiu suas últimas palavras de desprezo: "Vocês venderam suas almas para salvar suas vidas.".



De volta à Bluebell seguimos viagem rumo ao local onde tínhamos esperança de encontrar a tempestade e foi apenas quando o sol começava a se por que tive coragem de me virar novamente na direção do navio de cruzeiro. Gostaria de não tê-lo feito, pois, mesmo longe, foi possível avistar nada menos que sete navios-fortaleza Kalimanos cercando-o. Que Deus proteja essas almas.

Depois que a noite chegou não demorou muito para começarmos a sentir o mar mais agitado e logo atravessamos o que parecia uma parede de água, entrando na tempestade que, como da última vez, ameaçava naufragar-nos. Mas dessa vez estávamos preparados para ela, seguindo em frente com habilidade e determinação.

Finalmente, depois de um tempo que não sei determinar, saímos da tempestade para um glorioso e familiar céu azul, sentindo novamente o calor do sol e respirando aliviados como se acordássemos de um pesadelo. No horizonte, uma pequena ilha.

 Aos gritos, Jacques anunciava que reconhecia-a como Nonsuch Island. De fato, o Dr. William Beebe nos aguardava na praia e, assim que chegamos perto o suficiente, perguntou: "Por que demoraram tanto?".